sábado, 15 de agosto de 2009

“Não pergunte o que o seu país pode fazer por você, mas...”

Como podemos mudar o mundo em que vivemos? Como podemos transformar para melhor, tornando mais harmônica e justa, a realidade ao nosso redor? Sendo a cidadania uma via de mão dupla, na qual temos direitos e deveres, como podemos fazer para irmos além do simples dever de respeitar o próximo e pagar tributos, sem que com isso deixemos de exercer os nossos direitos a uma vida econômica livre, à constituição de uma família, ao lazer, etc?

Ser cidadão significa necessariamente ser político. Significa interagir de modo a fazer do cidadão um agente da política – da gestão da coisa pública. Mas ser político, não significa ser ideológico, nem partidário. Política é, por um lado, se comprometer com um projeto de país, de coletividade, através de um conjunto de valores ligados ao próprio indivíduo – essa é a esfera privada da política. Por outro lado, é também comprometer-se com aquilo que, sendo público, dispensa radicalismos, dispensa idiossincrasias, dipensa intolerâncias com o diferente – essa é a esfera pública da política (que não deve ser confundida com “coletiva”, pois pode e deve preservar também e principalmente, os direitos individuais).

Quando se leva uma vida na qual, normalmente, se trabalha ou estuda cerca de 12 horas diárias, e se reserva outras 4 ou 5 para o lazer e para a família, fica difícil exigir do indivíduo que ele ainda aja enquanto ser político. No entanto, existem coisas que lhe dizem respeito diretamente, e que interferem nessas horas, nesses dias, nesse cotidiano aparentemente apolítico.

Por essa razão, o indivíduo – e aí, não cabe aqui discutirmos se é por uma motivação inata, cultural, mesológica, ou simplesmente ideológica – acaba por identificar-se com causas que lhe tocam fundo na alma. Nesse momento, o trabalhador e o empresário, o pai e o filho, o garçom e o cliente, deixam de ser o sujeito cotidiano, diário, comum, e tornam-se, cada um com a sua causa particular, com o seu engajamento próprio, um agente político. Dá-se a transformação que transforma.

Seja um estudante que organiza uma feira cultural em seu colégio, ou que propõe uma visita a um bairro pobre. Seja um membro de uma ONG que salva animais em extinção. Seja um antigo morador do prédio, que candidata-se a síndico por estar insatisfeito com certas situações que o incomodam no dia-a-dia do condomínio. Seja um sujeito que se filia a um partido político, comprometendo-se, antes de tudo, com o exercício da democracia. Não importa muito como o indivíduo passa, então, a agir politicamente – o importante é tornar-se um agente transformador da realidade que o cerca.

Ser cidadão é isso. Não podemos valorar quem é mais ou menos importante no exercício da sua cidadania. A cidadania não é para a coletividade, é para o indivíduo, e assim a coletividade ganha mais: ao agir politicamente, o indivíduo se engradece. E com indivíduos fortes, faz-se uma coletividade forte. Por isso, sejamos todos cidadãos, à maneira de cada um.

Victor Castro Fernandes de Sousa, julho de 2006, Salvador-BA.

Um comentário:

  1. Blablablá, blablablá! Pro inferno com esse ditado.

    Acho (acho não, tenho certeza) que já faço demais para essa PORRA de país (pago meus impostos, que não são poucos).

    Em compensação, essa mesma PORRA de país não me dá nada em troca.

    Foda-se JFK!! Que ele continue a arder no inferno.

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