domingo, 3 de janeiro de 2010

E numa mesa de bar...

E numa mesa de bar...

- É por isso que eu sempre digo: enquanto não for feita a socialização dos meios de produção, absurdos como esse continuarão existindo. Será que vocês não percebem que tudo isso é fruto de uma distribuição injusta da renda, e que essa injustiça deriva justamente do sistema capitalista no qual vivemos?

- Ah, você jura que quer falar de política? Tanta gatinha ao redor...

- Pois eu discordo de você, Juan. Acho que o problema não está em quem possui o meio de produção, mas em quem controla esse meio. Ou seja: um Estado que saiba tributar de forma justa, e depois devolver esse tributo de forma ainda mais justa.

- E isso por acaso acontece, Olavo? Claro que não! E nunca vai acontecer, e sabe por que? Porque quem possui o capital controla a política. O poder econômico, que se diz tão protetor das “instituições democráticas”, na verdade molda a democracia a seu bel-prazer. Vai dizer que o Congresso hoje representa o povo?

- Véi, tem uma loira bala ali na outra mesa. 15 pras 9, volver!

- Eh eh...

- Existem mil motivos para isso, Juan. Um povo com pouca instrução, um sistema federativo injusto, que concentra poderes no Governo Federal ao invés de transferi-los para Estados e municípios, um sistema eleitoral que prioriza os partidos ao invés de priorizar os colégio eleitorais, e por aí vai...

- Tá vendo como você é capitalista? Nem falou do financiamento privado de campanha. Uma das formas mais eficazes que a burguesia tem pra controlar o sistema político é financiando campanhas, fazendo os políticos se corromperem ante a força do capital!

- Então eu te pergunto: o que é mais eficiente, financiar campanhas ou usar essa verba para fiscalizar os gastos de campanha?

- Brother, esse papo tá muito cabeça, eu vou me sentar ali com aquelas piriguetes, quando eu garrar uma delas mando lembranças.

- Boa sorte, Anthony.

- Vá fundo.

- Mas perceba, Olavo. Que tudo o que você propôs, não vai no cerne do problema: a desigualdade. Pode até diminuir – digamos que consiga – mas não vai acabar com ela. Nós vamos continuar vivendo em um sistema capitalista e injusto.

- Sempre haverá ricos e pobres, Juan. A diferença é que, num país bem estruturado em termos de representação eleitoral e tributação, esse abismo de classes é bem menor.

- Ah, então você admite! No seu entendimento, os ricos devem ser ricos, e os pobres devem ser pobres! Agora vai me dizer que o rico é rico porque trabalhou para isso, que é a meritocracia, e essas baboseiras do tipo...

- Juan, veja bem, velho, eu nem vou por aí. Acho que devemos sim construir uma nação na qual as pessoas tenham oportunidades iguais, e assim prevaleça a meritocracia, mas acho que mais importante do que isso, é garantir que os ricos e os pobres disponham dos mesmos serviços públicos essenciais, e com a mesma qualidade.

- E o sistema tributário tem a ver o que com isso? Pra você tudo não se resume ao sistema tributário?

- Ia ser longo para explicar... mas deixe-me colocar nos seguintes termos: você quer acabar com a divisão entre ricos e pobres, e eu digo que isso é impossível.

- Vocês ainda tão nessa discussão? As meninas ficaram afim de vocês. Aquela morena gata ficou afim do barbudo com camisa de Che, e a loirinha de cabelo cacheado ficou afim do mauricinho de camisa pólo. A ruiva eu já tô pegando. E aí, vão cair pra dentro?

- Sério, Anthony? Você ouviu isso Juanito?

- Esse cara é miseravão mesmo. Bom, já que estamos na chuva, vamos se molhar né? Depois a gente continua a nossa conversa sobre política...

(No que se deduz, caro leitor, que não há divergência política que resista há um bom rabo-de-saia...)

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