domingo, 3 de janeiro de 2010

É Preciso Estar Atento e Forte!

Primeiro, a notícia do atentado contra o chargista dinamarquês Kurt Westergaard, ocorrido no dia 1º de janeiro deste ano:

Berlim, 2 jan (EFE).- As autoridades dinamarquesas consideram que, por trás do ataque fracassado contra o chargista Kurt Westergaard, que se tornou famoso pelas irreverentes caricaturas do profeta Maomé, há um "cenário terrorista".

"É um caso grave", disse, através de um comunicado, o diretor do PET, os serviços secretos dinamarqueses, Jakon Scharf.

O PET considera que o homem que entrou sexta à noite na casa de Westergaard tem vínculos com a rede terrorista Al Qaeda e com a milícia somali islâmica Al-Shabaab.

Além disso, as autoridades afirmaram que o somali, que foi detido, pertence a uma célula islâmica que opera na Dinamarca e que estava sendo vigiada há algum tempo pela Polícia por possíveis planos para atacar Westergaard.

O agressor também foi vinculado a atividades terroristas no leste da África.

O somali compareceu hoje perante um juiz que decretou que deverá continuar em prisão sob suspeita de dupla tentativa de assassinato, contra Westergaard e contra policiais que participaram da detenção.

O acusado, que será isolado nas primeiras duas semanas de prisão, admitiu que esteve na casa de Westergaard, mas negou a acusação de tentativa de assassinato.

Fontes policiais disseram que o agressor entrou na casa de Westergaard, perto da cidade de Arhus, armado com um machado e uma faca, enquanto proferia gritos em um dinamarquês entrecortado no qual o caricaturista conseguiu distinguir palavras como "sangue" e "vingança".

Segundo o relato policial, o chargista conseguiu se esconder em um banheiro que transformou em uma espécie de bunker de segurança desde que começou a receber ameaças de morte.

Westergaard ligou para a Polícia do banheiro, enquanto o somali tentava quebrar a porta e fazia ameaças em dinamarquês.

Quando a Polícia chegou, o agressor atacou os agentes, que responderam com disparos e o feriram na perna e na mão.

No momento do ataque, Westergaard estava em casa com a neta de 5 anos.

O agressor está agora na prisão e deverá ser acusado formalmente, enquanto Westergaard foi levado para um local seguro.

Desde setembro de 2005, quando foram publicadas as caricaturas de Maomé no jornal "Jyllands-Posten", Westergaard foi alvo de ameaças de morte e vive sob proteção policial.

As caricaturas feitas por Westergaard, uma das quais mostra Maomé com uma bomba como turbante, causaram fortes protestos e distúrbios em todo o mundo islâmico, que causaram a morte de 150 pessoas.

Os distúrbios aconteceram, principalmente, nos primeiros meses de 2006, quando houve também chamadas para sabotar produtos dinamarqueses.

No início de 2008, a Polícia dinamarquesa deteve dois muçulmanos acusados de planejar um atentado contra Westergaard e, depois, três jovens muçulmanos foram condenados na Dinamarca por planejar atentados com explosivos em protesto contra a publicação das caricaturas no "Jyllands-Posten".

Também nos Estados Unidos, foi detido em 2009 o muçulmano convertido David Colemann Headley, de nacionalidade americana, que planejava um atentado contra o "Jyllands-Posten" em cooperação com grupos paquistaneses.

Cerca de 3% dos 5,5 milhões de habitantes da Dinamarca são muçulmanos e, durante os últimos anos - já antes da polêmica das caricaturas -, a discussão sobre a imigração e o Islã adquiriu um tom bastante ácido.

A publicação das caricaturas de Maomé no "Jyllands-Posten", em 2005, foi parte de uma estratégia de confronto com o Islã, própria dos setores mais conservadores da Dinamarca.

A ideia do "Jyllands-Posten", ao encomendar a Westergaard e a outros desenhistas as caricaturas de Maomé, era fazer um gesto em defesa da liberdade de expressão frente à proibição no Islã de representar o profeta graficamente.

(Fonte Agência EFE 02/01/2010)



Agora, o texto que eu escrevi em fevereiro de 2006, à época dos debates sobre a conveniência e a legalidade das referidas charges. Mais uma vez, uma previsão bem precisa do que estaria por vir:

O caso das charges dinamarquesas, e suas repercussões no âmbito da política internacional, gerou no mundo um sentimento de medo e ansiedade acerca do choque de civilizações que, por décadas postergado o debate, agora bate à porta tanto do Ocidente, quanto do Oriente.

Alguns classificariam as turbas dos últimos dias como meros protestos, mas os ataques realizados contra a embaixada dinamarquesa no Líbano superaram os tempos mais áureos de militância contra as embaixadas da África do Sul, quando ainda vigia o apartheid, ou mesmo os protestos de sempre contra as representações diplomáticas norte-americanas. Os incêndios e apedrejamentos que se seguiram à publicação das charges assustaram pela violência, e pela própria razão de ser.

Aduzem os muçulmanos, radicais ou não, a exigência de que os países ocidentais, em nome de um bom convívio em termos de diplomacia internacional com o Oriente Médio, passem a legislar de forma a coibir a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa. Que a civilização ocidental, seus Estados e suas culturas, que por séculos lutaram e derramaram de sangue fraterno pela conquista do direito à liberdade de expressar o próprio pensamento, abram mão agora dessa conquista histórica, para não desagradar o mundo islâmico.

Para isso, cometem atos verdadeiramente terroristas – pois é só assim que podem ser classificados o ataque à embaixada da Dinamarca e outras manifestações de igual caráter – tentando impor pela força e pelo medo uma exigência que se sintoniza apenas com a sua própria cultura: o cerceamento ao direito de opinar.

Não devemos, nós, ocidentais, portanto, por mais politicamente corretos que intentemos ser, abrir mão de nossos direitos e de nossas conquistas, que já se incorporaram à nossa cultura e ao nosso modo de vida, em nome da paz. A paz é um fim a se perseguir, mas a paz não pode ser fruto do medo, e sim do entendimento. E um diálogo, por mais que pressuponha que ambos os lados, ao final, terão de abrir mão de um pouquinho dos seus interesses, não pode incluir como objeto de concessão algo que venha a desfigurar a própria natureza da diferença.

Ser politicamente correto não pode ser sinônimo de suprimir as diferenças, moldando-as em um modelo único e comportadinho, da mesma forma como multiculturalismo e respeito às diferenças não podem ser sinônimo de perda de direitos, qualquer que seja o “bem maior”.

Se assim o for, em nada se diferem os politicamente corretos dos nazistas, e em nada se distinguem os multiculturalistas dos homens-bomba ao redor do mundo. O Ocidente não pode ceder a essa chantagem. Deus – seja ele o cristão ou o muçulmano – nos livre de uma Guerra Santa, mas nos livre, mais ainda, da redenção ao terror e ao medo.

Victor Castro Fernandes de Sousa, fevereiro de 2006, Salvador-BA.

2 comentários:

  1. Os desenhos são elogios a Maomé.
    Se o não forem, digam qual e em quê.
    Nada há no Corão a proibir desenhos de Maomé, e o Islam baseia-se naquilo que Maomé disse e fez.
    Os desenhos reflectem isso mesmo.
    Os muçulmanos deviam pedir desculpas, agradecer e pedir por mais desenhos.
    Se o não fizerem, estão a insultar-se a si próprios, a insultar o Islam e a insultar Maomé.

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  2. Mas também não admira que os muçulmanos continuem a insultar maomé.
    Se visto e analisado ao pormenor, quase tudo ou mesmo tudo no islam são insultos a maomé.
    O próprio maomé fartou-se de insultar o seu próprio allah maometano.
    A tal ponto, que na prática, a última coisa que maomé fez foi assassinar o seu allah.
    Deixou-o sem fala e sem espírito. Sem qualquer sinal de vida.
    Pior.
    No islam, maomé só deixou satanás á solta.
    Os eruditos maometanos podem confirmar isto, dão é depois voltas e mais voltas a justificar.
    O que só prova que o islam é muito hábil a enganar os próprios e a tentar enganar os outros.

    Na verdade, só fora do islam podem existir mundos espirituais bons, quer dos ateus quer os dos religiosos .
    Só fora do islam, os mundos espirituais bons podem existir, serem infinitos, inesgotáveis e acessiveis a todos em todo o tempo e lugares.

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