sábado, 14 de agosto de 2010

Em um debate...

Meus caros,

Há uma diferença fundamental entre o liberalismo político-filosófico e o liberalismo econômico/neoliberalismo. O primeiro propõe uma transformação individual, ética. O segundo propõe uma reengenharia social - e, por esse critério, se aproxima mais dos escritos socialistas.

Se há algo de comum entre a doutrina socialista em seus diversos autores - desde Marx e Lenin a Sarte e Camus, passando por Trotsky e Gramsci - é que eles não enxergam o indivíduo como agente de transformação, mas como partes de uma engrenagem maior, que deveria ser regida por um partido único. A metáfora de "Ensaio sobre a Cegueira" mostra bem o que os socialistas pensam do homem em sua matéria bruta.

Eu rejeito completamente Hayek, Mises e Friedman! Porque, ao proporem uma sociedade dominada por uma coletividade (o Mercado), retiram o poder da burocracia e o transferem ao capital - mas mantêm a morte do indivíduo enquanto ente ético.

O que une um ateu hedonista como Wilde a um cristão carola como Locke? Ou um minarquista como Thoreau a um estadista como Jefferson?

A idéia de que a sociedade deve ser para o homem, e não o contrário.

Em que se funda a democracia liberal? No monopólio da força e da tutela jurisdicional. Agora, como se exercerá esse monopólio, eis a questão. Podemos dar mais poder ao capital ou à burocracia estatal e, em ambos os casos, haverá indivíduos usurpando um poder coletivo em prol de interesses pessoais.

É exatamente isso que o liberalismo filosófico alerta, e que Pablo disse em seu e-mail: a transformação deve se dar de dentro pra fora, ser uma mudança ética do indivíduo. Reengenharias sociais servem apenas para usurpar nossas liberdades e entregar mais poder a pessoas que, necessariamente, irão se corromper.

Será que os males da sociedade ocidental se fundam nos princípios jurídicos do liberalismo (a busca da felicidade, o direito à privacidade e intimidade pessoais, a inviolabilidade do corpo, etc), ou será que resultam da mesma deturpação que faliu a União Soviética, Cuba, Coréia do Norte, e irá falir a China (politicamente) tão logo a classe média daquele país dê o seu grito de libertação - poder demais na mão de poucos?

E mais: em que obras socialistas, ou mesmo em que obras do anarco-capitalismo, vocês encontram defendidos, como em Locke, Wilde e Jefferson, prerrogativas como o direito à privacidade e intimidade pessoais e a inviolabilidade do corpo?

Do que podemos concluir que, do ponto-de-vista ético, jusfilosófico, os escritos do liberalismo político são moralmente superiores aos escritos do socialismo (Marx, Gramsci, Trotsky) e do anarco-capitalismo/neoliberalismo (Mises, Hayek, Friedman).

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