sábado, 7 de maio de 2011

Fiat Lux... ou "A Esperança Aécio"

Fiat Lux

Brasil, maio de 2011. Desde a derrota de José Serra nas eleições do ano passado, o agora Senador Aécio Neves desponta como a grande liderança capaz de se opor ao lulismo (agora representado pela “presidenta” Dilma) e vencer as eleições presidenciais de 2014 pelo PSDB. Ao contrário dos contendores tucanos anteriores, Aécio dispensa o conflito, e se apóia na estratégia que ficou notória com seu avô, Tancredo, e que fez dele (o avô) o único brasileiro a ser primeiro-ministro, nas duas únicas vezes em que o Brasil elegeu seu líder de governo pelo regime parlamentarista (1961 e 1984). Aécio opta pelo diálogo constante como estratégia para chegar ao poder.

O grande obstáculo, entretanto, parece estar no próprio PSDB. Nas fileiras internas do partido, mesclam-se militantes da antiga crença parlamentarista (que perdeu prestígio interno após a derrota no plebiscito de 93), da social-democracia européia (e que se apóiam na nostalgia de líderes mortos como Arthur da Távola, Franco Montoro, Ruth Cardoso e Mário Covas), da direita oportunista (aqueles que migraram para o partido pós-94, vindos de legendas fisiológicas da centro-direita), além dos militantes seguidores de pessoas (os “aecistas”, os “alquimistas”, os “serristas”, a “turma do Richa”, etc). Fato é: rachado desse jeito, o PSDB perderá feio as próximas eleições, seja o adversário Lula (para um 3º mandato) ou Dilma (buscando a reeleição).

Aécio precisa construir uma pauta nacional, que possa reunir o partido e enterrar (ou conciliar) as diferenças de crenças, coadunando os esforços das diferentes militâncias (que hoje se comportam como partidos adversários entre si). Mas qual seria essa pauta? A defesa do legado de FHC? Já perderam o bonde da história. A sociedade brasileira crê que o sucesso do Plano Real e as reformas econômicas de 93-2002 não trazem nenhuma relação entre si, e que FHC só produziu desemprego e arrocho salarial (como se fosse ele o culpado por isso, e não a dívida pública absurda deixada pelos militares). Não adianta mais tentar convencê-la do contrário.

Seria essa pauta então a crítica ao Governo Lula/Dilma? Foi tentado em 2006 e 2010, e não deu certo. Na primeira vez, mesmo com o mensalão, ainda assim fracassou. Na segunda, contra um Governo excepcionalmente popular, e que havia comprado o apoio da quase totalidade dos partidos fisiológicos e seus respectivos currais eleitorais, a abordagem dada foi por caminhos ingênuos e ineficazes (nivelar a crítica por baixo, para atingir o povão ignorante – furada!).

Há ainda um outro problema: as lideranças do PSDB no Norte e no Nordeste. Com exceção de algumas poucas figuras respeitáveis e de pensamento liberal-democrata, como o deputado baiano Jutahy Magalhães, o PSDB se faz representar fora do eixo sul-sudeste por latifundiários, coronéis, pessoas ligadas à ditadura militar, enfim, calhordas da pior espécie, que ajudam a reforçar o discurso petista de que o tucanato seria apenas uma versão light do PFL/DEM, um partido das elites, “de direita”.

Se Aécio quer - e precisa! - criar uma pauta nacional para o PSDB, um bom começo seria renovando as lideranças regionais do partido. Buscar talentos oriundos da classe média empreendedora: pensadores liberais (no sentido anglo-saxão do termo); universitários e intelectuais que desprezem o marxismo autoritário dos petistas; empresários que não se importem de pagar tributos, desde que sejam cobrados de forma proporcional (mais dos ricos, sobre a renda e a propriedade) e aplicados em políticas sérias; servidores públicos que não coadunem com o sindicalismo fisiológico dos partidos de orientação marxista, ou com a prática de contratações sem concurso que favorece ONG´s e apadrinhados partidários, privatizando o orçamento público federal.

Para isso, Aécio precisa assumir o comando do PSDB. Retirar do comando central figuras que desprezam o passado ético do partido, que em nada refletem a história de Covas, Montoro, Távola, Cardoso (sim, leitor, você já sabe a qual tendência tucana eu me alinho). Aécio deve atuar como presidente do partido, líder das bancadas, e “head Hunter” junto aos diretórios estaduais, pescando e lapidando esses novos líderes, que serão os grandes agentes de transformação da cabeça do eleitorado nos próximos 03 anos. Líderes que vão de encontro à atual prática do poder pelo poder, que atuam em entidades filantrópicas, associações comunitárias (as sérias!), ou mesmo em seus círculos pessoais de influência. Líderes que enxergam a democracia não sob a égide de uma ideologia segregacionista, mas querendo garantir a todos o verdadeiro direito à “busca da felicidade”: a plenitude do livre arbítrio na vida social!

Presidente do partido e líder parlamentar, Aécio mostrará que nenhum trabalho é demais quando se quer e precisa mudar para melhor o nosso Brasil: muito mais trabalho ele terá se efetivamente vencer as eleições de 2014. Precisará unificar e harmonizar a atuação dos parlamentares tucanos na Câmara e no Senado, assessorar as gestões tucanas e aliadas nos municípios e Estados (para fortalecer a imagem do “partido dos bons gestores individuais”), e organizar encontros constantes em todo o Brasil, onde irá reconhecer e arregimentar as novas lideranças descritas acima.

Se não for Aécio o próximo presidente do PSDB, que seja um iluminista da velha guarda, como o ético e preparado Jutahy que citei anteriormente, ou o ex-governador Tasso Jereissati, de larga experiência e excelente currículo. Mas que o PSDB enxergue nessas novas lideranças (ainda a serem garimpadas) a pauta nacional que poderá reunificar o partido, e fortalecê-lo como uma falange espartana rumo à vitória (pois o Xérxes bufão já nos espera na encosta, com seu exército de depravados da corrupção centrista, “intelecto-masturbadores” do marxismo autoritário, gramscistas do oportunismo, e entusiastas do governismo a qualquer preço).

Ou o PSDB resgata a sua origem de classe média, de pensamento liberal-democrata, de jovens talentosos e crentes em um Brasil mais justo socialmente (sem abdicar dos direitos individuais), ou vai perder de novo, e pior ainda: perder se igualando aos adversários, na rasteira da política de conveniências, de demagogias e populismos. Foi exatamente para isso que nos alertou Fernando Henrique (o sociólogo) em seu artigo recente.

Então, Aécio: como vai ser?

Victor Castro Fernandes de Sousa, maio de 2011, Brasília-DF.

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