segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Eixos estruturantes nos 3 níveis educacionais

A idéia é meio utópica, e com certeza pressupõe um amplo debate prévio à sua implementação. Mas serei breve em sua exposição: que a educação em nosso país seja dividida em eixos estruturantes, quais sejam, Ciências Naturais, Ciência Exatas, Ciências da Saúde e Ciências Humanas.



No ensino fundamental, dos 6 anos aos 14, durante 9 anos as crianças teriam:

- Noções introdutórias sobre flora, fauna e constituição de biomas. (Ciências Naturais)

- Noções introdutórias de aritmética e raciocínio lógico. (Ciências Exatas)

- Noções introdutórias sobre o corpo humano, saúde e qualidade de vida. (Ciências da Saúde)

- Noções introdutórias de literatura, comunicação e linguagem. (Ciências Humanas)



No ensino médio, dos 15 aos 17 anos, durante 3 anos os adolescentes teriam:

- Estudos epistemológicos e conceitos gerais de geografia física, química e biologia. (Ciências Naturais)

- Conhecimentos gerais sobre cálculos da física e da matemática, com a construção teórica das fórmulas utilizáveis e a aplicação prática destas. (Ciências Exatas)

- Conhecimentos gerais de medicina, educação física e disciplinas correlatas. (Ciências da Saúde)

- Estudos epistemológicos e conceitos gerais de sociologia, histórica, filosofia, antropologia, comunicação social, direito, ciência política e economia, aliados a uma aplicação prática das regras de linguagem. (Ciências Humanas)



No ensino superior, a divisão inicial dos cursos em 04 áreas (Naturais, Exatas, Saúde e Humanas), com ciclos iniciais de 03 anos, os quais, uma vez concluídos, garantiriam um bacharelado com licenciatura, e depois, a possibilidade de ingresso em cursos de 02 ou 03 anos de duração, nas especialidades de cada área (Ex: para os bacharéis em Saúde, poderiam fazer Medicina, Educação Física, Fisioterapia, Odontologia, etc.; para os bacharéis em Humanas, poderiam fazer Direito, Economia, História, Jornalismo, etc).



A vantagem desse modelo é criar uma correlação direta entre os 03 níveis de ensino, com a criança desenvolvendo, em maior ou menor grau em cada área, as habilidades epistemológicas e cognitivas necessárias para a apreensão do conteúdo que lhe é apresentado.

Há outras medidas necessárias e concomitantes, como a divisão do corpo de professores em expositores (nível inicial de experiência, e 70% do corpo docente, responsáveis pela exposição oral em sala de aula), avaliadores (nível intermediário de experiência, e 20% do corpo docente, responsáveis por elaborar avaliações unificadas e prover a correção destas) e coordenadores (nível avançado de experiência, e 10% do corpo docente, responsáveis pela elaboração do material didático e das metodologias de exposição).

Além disso, o aluno não estaria mais condicionado a passar ou perder o ano letivo a partir das notas – estas seriam apenas indicadores da qualidade dos métodos pedagógicos utilizados. O foco é no desenvolvimento de skills, ou seja, habilidades epistemológicas e cognitivas – ao invés de premiar o aluno pelo seu decoreba, ele seria estimulado a buscar o conhecimento por conta própria.

Com avaliações unificadas, a concorrência seria entre ele e todos os demais alunos da sua série. Ao final de cada ciclo, os alunos teriam que fazer uma bateria de exames que os qualificaria ou não para o ciclo seguinte (exame este a ser aplicado semestralmente pelo MEC).

Contudo, o aluno poderia reivindicar a conclusão do ciclo com até 02 anos de antecedência – ou seja, um aluno que concluiu o 1º ano poderia alegar estar apto a fazer os exames para certificação do ensino médio.

Esta medida estimularia os bons alunos a apreenderem mais e mais do conteúdo, de modo a poderem levar vantagem temporal em relação aos colegas de classe. Em suma: um sistema que não pune os maus, mas beneficia os bons.

Só um paradigma de liberdade e desburocratizaçãoo, como este aqui proposto, pode nos ajudar a superarmos os entraves conceituais, administrativos e pedagógicos que empurram nossa educação para um cartorialismo fictício e auto-enganoso.

Há coragem para implementação dessas medidas?

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