domingo, 8 de janeiro de 2012

Dilma e o Complexo de Sinhazinha

A candidatura e posterior eleição de Dilma Roussef trouxe consigo o mito de que a Presidente seria um oásis de competência e eficiência dentro de uma nau repleta de velhos bufões e fisiológicos, herdados por ela do Governo Lula. Pode-se mesmo dizer que desde a sua nomeação como Ministra Chefe da Casa Civil, a hoje Presidente Dilma teria firmado seu nome como natural candidata à sucessão de Lula, como forma de dar uma guinada do populismo rasteiro a uma nova forma de gestão profissional e apartidária. O mais interessante de tudo isso é que até mesmo a oposição (PSDB/DEM/PPS) acredita nesse mito.

Contudo, o que se vê na prática da Administração Pública Federal é uma total falta de rumo, e uma confusão conceitual entre gestão por autoridade e autoritarismo assediante. A Presidente Dilma, ao contrário da suposta e propagada capacidade de gestão, possui, isto sim, um enorme Complexo de Sinhazinha. Como as mocinhas dondocas filhas dos senhores de engenho do Brasil colônia/império, ela sabe gritar e mandar em seus “empregados”, cobrando-lhes a alvura das anáguas e o ponto certo de coagem do café, mas não sabe sequer usar o tanque ou o fogão.

Esclarecendo a metáfora: a Presidente Dilma, com seus arroubos de valentia ante os subordinados, tenta passar a imagem da gestora onisciente, onipresente e onipotente mas, na verdade, não entende bulhufas do que está sendo tratado em cada reunião interministerial (nem vou entrar no mérito se os ministros têm ou não conhecimento sobre do que tratam, a maioria não).

Dilma, assim, no alto das suas tamancas de sinhazinha, com sua sombrinha comprada em Paris (sim, voltei à metáfora, é divertida e elucidante), dá ordens a esmo, de forma genérica e em múltiplas direções conflitantes, quase que induzida pelos fatos que lhe são apresentados a reboque a cada relato ministerial. Não há planejamento, não há sequer o tangenciamento de qualquer conhecimento teórico básico, que seria por certo fundamental para saber se suas ordens estão ou não na direção correta.

É o teatro da competência, como fazia seu antecessor, só que agora sem o bufonismo blasè que acometia ao mesmo. E a oposição, que vergonha! Cai nesse conto da vigária, que fez questão de firmar como habitual uma terminologia (o tal “presidenta”) que, em que pese há décadas aceita como possível pela língua portuguesa (se inverossímil tal informação, aceite-a como ironia então), apenas para fazer proselitismo barato pró-feminismo (a mesma “presidenta” que negou o aborto três vezes apenas para ganhar uma eleição).

Parabéns a nós, brasileiros, que, jogados na nossa senzala da democracia de papel, onde leis são redigidas por bancadas corporativas (e nisso incluo sindicalistas e religiosos) à revelia do cidadão, e onde trabalhamos (nós, a classe média não sonegadora) cinco meses ao ano para custearmos o banquete dos senhores de engenho da Alvorada (quão irônico este nome!), aplaudimos a nossa sinhazinha, que de vassoura em punho, diz ajudar a “nêga véia” a varrer da Casa Grande os corruptos e incompetentes.

Nem a velhinha de Taubaté, no tempo em que a nossa imprensa ainda era crítica ao Governo, acreditaria em tão descarada lorota. Mas ainda melhora…

Victor Castro Fernandes de Sousa, janeiro de 2012, Brasilia-DF.

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