quarta-feira, 20 de março de 2013

A Lei Seca e as mentiras que os políticos contam… Uma proposta!

A Lei Seca é estúpida, desproporcional e ineficiente.

Fui a Londres recentemente, bebi todos os dias, e voltei sempre de metrô ou ônibus.

Táxi no Brasil, como na Inglaterra, é proibitivo de tão caro.

Hoje a classe média só tem o táxi como alternativa para voltar para casa depois de uma festa ou um happy hour.

Nossos políticos não são afetados pela Lei Seca, porque têm motoristas pagos com o dinheiro dos nossos impostos.

Querem nos impor uma regra absurda para corrigir um problema que eles não têm competência para corrigir: porque os brasileiros se tornaram tão dependentes do automóvel pessoal.

Agora inventaram um medidor de maconha e cocaína no sangue, que raspa a parte interna da bochecha, detectando se o motorista consumiu substância psicotrópicas nos últimos 6 meses.

Ou seja, se você fumar um baseado hoje, ficará 6 meses sem dirigir, ou poderá ser preso.

A coisa tomou dimensões draconianas, kafkianas. E a histeria coletiva continua achando que é o choppinho do happy hour que causa as mortes de trânsito.

O que mata no trânsito é a velocidade excessiva, e a perda dos reflexos causada pelo álcool ou pelo sono apenas obriga o motorista a diminuir a velocidade do veículo – um motorista sensato, após beber, procura não ultrapassar os 60 km/h.

As pessoas olham esses índices e se esquecem de que somos obrigados a dirigir de volta pra casa, vindos de um bar, por falta de alternativas de transporte (e o sindicato dos taxistas é um verdadeiro cartel que encarece a tarifa e boicota soluções alternativas de transporte).

Na verdade, pela quantidade de motoristas que já dirigem sob efeito do álcool (e sempre dirigiram), até que nossos índices de acidente são bem baixos.

Procurem ir além da matemática burra, e conhecer o perfil dos motoristas que se envolveram em acidentes letais. A maioria já dirigia bem acima dos limites de velocidade das vias, inclusive quando sóbrios.

A maioria dos acidentes letais aconteceram ACIMA DA VELOCIDADE PERMITIDA DA VIA. Já estariam cometendo uma ilegalidade, sóbrios ou não.

Querem criminalizar toda uma cultura de beber no happy hour, apenas porque meia dúzia de irresponsáveis resolveram sair por aí brincando de Michael Schumacher e colocando 120 km/h em uma via urbana.

Que o Estado nos provenha alternativas mais baratas de transporte, ao invés do lobby fácil e bem financiado dos sindicatos de taxistas.

E se colocamos todas essas aspirações e reflexões, a histeria coletiva dos politicamente corretos, junto com a sanha justiceira dos evangélicos e da direita religiosa como um todo, vem dizer algo como “você nunca perdeu um ente querido no trânsito”. Como se isso fosse desculpa para a irracionalidade da lei.

Aí o debate entra em um impasse. Não dá para discutir usando o fígado ao invés do cérebro.

O que sugiro para a Lei Seca é:

- Retirar a conduta de perigo (direção sob efeito do álcool) da esfera penal;

- Instituir uma multa proporcional ao nível de álcool no sangue, ao invés de um valor fixo como é hoje;

- Haver uma tolerância até um determinado índice, abaixo do qual o motorista poderá testar seus reflexos na hora com o policial, tentando pegar uma bolinha que quica no chão, andando numa linha reta e fazendo um teste de reflexo de luzes piscantes. Se passar nesses testes, se isenta da multa e ainda pode voltar dirigindo para casa.

Isso sim seria JUSTIÇA, PROPORCIONALIDADE, RAZOABILIDADE, no marco regulatório.

E serviria para impedir não apenas motoristas entorpecidos de dirigirem, mas também aqueles sob efeitos do estresse ou sono.

Um modelo mais coerente, mais eficiente e mais correto de se controlar o estado mental de nossos motoristas.

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