quarta-feira, 20 de março de 2013

Oposição no Brasil: o Poder pelo Poder

Já virou discurso pré-fabricado dizer que a Oposição não tem um projeto de país, ou uma plataforma de governo. Que se baseia no personalismo de certos expoentes, individualmente, para tentar derrotar PT-PMDB nas próximas eleições. Que não amplia o debate, não consegue captar a insatisfação da população brasileira. Que é elitista, fechada, não-representativa.

Tudo isso é verdade. E a tendência é que continue assim.

Isso porque a Oposição (PSDB-PPS-DEM) tem buscado as ferramentas erradas para (tentar) reverter essa situação.

O que se vê é um acirramento do culto a personalidades políticas individuais (o serrismo, o aecismo, o alckimismo, etc), uma briga fatricida pelo poder dentro desses partidos, e uma ausência total de uma pauta de vanguarda para a gestão pública no Brasil.

A Oposição não tem um projeto de reformas legislativas – fala-se da necessidade de se fazer uma reforma política, tributária, administrativa, mas quais? A Oposição não tem um intercâmbio de boas experiências de gestão por todo o Brasil, o que gera uma situação pitoresca: o mesmo partido (PSDB) em Minas representa a vanguarda, enquanto em Rondônia, por exemplo, representa o atraso e o coronelismo. A Oposição não tem posições claras sobre pontos polêmicos – aborto, maioridade penal, casamento gay, drogas, etc -, e prefere o mesmo silêncio hipócrita adotado pela base governista, para posar de progressista para sua militância, enquanto age de forma omissa a obedecer de forma covarde ao conservadorismo religioso.

A Oposição usa das mesmas armas do PT e do PMDB – o discurso demagógico, fácil, populista, a troca de cargos e favores – para tentar voltar ao poder, sem um projeto, sem um consenso de ideias – apenas conceitos vagos. O mais triste é que tal praxe se reproduz nas militâncias jovens, hoje também divididas em caciques (mirins) que herdaram essas repartições como se capitanias hereditárias fossem.

Nesse cenário, porque deveria a Oposição voltar ao poder? Salvo a rejeição ao lulo-petismo de base marxista e práticas fisiológicas, o que mais une os partidos que se encontram apeados da máquina administrativa? Salvo a possibilidade de nos livrar do marxismo leptocrata que o lulismo nos legou, em que mais uma eventual vitória de Aécio seria melhor que uma reeleição de Dilma, em 2014?

Aquele PSDB de 94, monetarista (inflação zero!, em defesa do trabalhador), parlamentarista, que entendia a importância de modernizar a máquina administrativa para que sobrasse mais dinheiro para redução de impostos ou investimentos sociais, aquele partido não existe mais. Hoje se resume a uma chicana, uma disputa ridícula por um nome. O PSDB, e seus asseclas, aderiu de corpo e alma não ao projeto de um Brasil social-democrata, como em 94, mas à comodidade de se investir todas as fichas no culto a uma personalidade, o mesmo processo de “tiriricação” da política brasileira, que tantos criticam.

Faltam líderes oposicionistas no Brasil, para desnudarem essa pouca vergonha ética que são as brigas fatricidas dentro dos partidos que se opõem ao lulo-petismo de PT e PMDB, e chamar à ordem todos os militantes que sonham com um projeto alternativo de país (interrompido em 2002).

Há pouca ou nenhuma esperança que, dentro de 1 ano, este cenário mude… e a Oposição sangrará ainda mais nas próximas eleições.

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