quarta-feira, 20 de março de 2013

Um (des)Governo de Poetas Frustrados

Nossos legisladores são poetas frustrados. Entorpecidos pela ilusão de que têm alguma importância para a gestão pública dos três níveis federativos, capricham em suas leis de modo tal, que ao invés de diretrizes programáticas a serem adaptadas a cada gestão executiva, são por si só programas de governo – pretensão esta que nos persegue desde a Constituição de 88.

Nossos executivos são poetas frustrados. Adoram um lançamento de um novo programa, a inauguração da pedra angular de um prédio que nunca chegará a ser concluído, ou, se concluído, nunca chegará a prestar aquele serviço público a contento (uma delegacia, um hospital, uma escola). Odeiam discutir planejamento de longo prazo, a menos que este se resuma a 2 páginas de word e muitas frases de efeito. Acham “bonitinhos e fofos” os tecnocratas, embora os ignorem completamente, enquanto chamam de tecnocratas os lobistas e assessores eleitorais que maquilam seus discursos com pseudo-metas e pseudo-programas que vão do nada a lugar nenhum. Confundem “atender aos interesses da população” com “atender aos interesses dos grupos organizados que garantirão na próxima eleição o voto da maioria da população”. E por aí vai.

E o mais grave, pois não são ocupantes de cargos eletivos: os nossos juízes e promotores são poetas frustrados. Embebecidos na cachaça ideológica de que quanto mais repressão aos costumes e mitigação a direitos e garantias fundamentais, mais “estamos avançando rumo à civilização o que exige um preço”, abusam do direito de “reverem” conceitos da jurisprudência pátria (leia-se: jogam no lixo qualquer interpretação que proteja o indivíduo em face das coletividades). Sou suspeito para falar: nunca consegui passar num concurso para juiz ou promotor, em que pese nunca ter tentado (é como se o Bahia tentasse ser campeão mundial interclubes – para que?). Mas a impressão que passa é que eles querem se vingar dos cidadãos comuns, por todas as festas e trotes que deixaram de comparecer para ficarem estudando para esses concursos.

Enfim, divagações à parte, o fato é que o Brasil precisa de engenheiros. E médicos. Pessoas com um pensamento cartesiano, pragmático, objetivo, mesmo na compreensão da pluralidade de escalas de valores que compõem as relações intersubjetivas em nossa sociedade. Chega de hegelianismo! Chega de marxismo hegeliano! Chega de ciências humanas (traduzindo: achismos)! Eu quero é metas, planos de execução, e cumprimento adequando e eficiente! Um país que teve 4 entre 5 presidentes com formação em Direito, explica bem a nossa tara quase edipiana pela burocracia excessiva, nosso alto custo de uma máquina pública ineficiente, e nosso total despreparo enquanto país para executar ações simples (como colocar linhas de metrô em cada cidade brasileira com mais de 500 mil habitantes).

E que venha a Copa!

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