terça-feira, 15 de julho de 2014

Eleitor, Faça a Sua Parte!

Eleitor, Faça a Sua Parte!

Lá vamos nós para mais uma eleição presidencial. Finda a Copa do Mundo no Brasil, outubro nos traz a perspectiva de que algo mude na política nacional – ou que nada mude. Desde a redemocratização (cujo marco pende entre a eleição de Tancredo Neves em 85 e a promulgação da Constituição em 88), vivemos basicamente 3 períodos: a) de 85 a 92, a herança de endividamento público, bagunça fiscal e hiperinflação deixada pelos militares, e piorada pelos Presidentes Sarney e Collor, que levou o país a uma fase de descrença em seu próprio futuro e de aprofundamento da pobreza no campo e nos grandes centros urbanos; b) de 93 a 2002, a estabilização monetária, feita da forma como era possível diante de um quadro político e institucional viciado por antigas práticas de politicagem no Congresso Nacional, mas que nos legou uma gestão macroeconômica de Primeiro Mundo, e abriu as portas para a perspectiva de um futuro no bem-estar social e na microeconomia; c) de 2003 a 2014, com avanços naturais na promoção de políticas públicas e na diversificação da nossa base produtiva (mais voltada pros setores de serviços e pra agregação de valor), em grande parte puxados pela valorização do câmbio (obrigado Palocci e Malan!) e pela lenta melhoria nos índices educacionais da nossa população, desde 95 pra cá.
Mas agora nos vemos diante de um novo desafio: quais passos o país dará em direção a qual futuro. A inflação por demanda tem aberto uma perspectiva de rombo nas contas públicas no médio e longo prazo, o que fez anular nos últimos 2 anos o efeito positivo que a valorização cambial (ocorrida de 2004 a 2011) teve em nossa economia (principalmente no incremento da renda do trabalhador, o que fortaleceu o nosso mercado interno de consumo). Os gastos públicos permanecem ineficientes, com um enorme “delay” entre o montante gasto e a política pública prestada, e não há perspectiva nem projetos sérios para corrigir essa distorção – sofremos um sério risco de que os petrodólares do pré-sal sejam desperdiçados pelo ralo da ineficiência administrativa generalizada do nosso país (hoje uma mazela mais impactante que a corrupção). E, por fim, há a política. Sempre ela.
Ao contrário do que dizem os adeptos do discurso fácil, o problema da política no Brasil não é de financiamento de campanha (como se estatizar algo que está ruim por conta dos agentes estatais fosse mudar algo – se perspectiva de mudança houvesse, teria já ocorrido internamente nos partidos). O problema da política no Brasil é de representatividade. O povo vota achando que o Poder Executivo muda as coisas, e vota no Poder Legislativo em pessoas, sem saber que os votos vão para partidos. É um duplo estelionato sofrido pelo pobre eleitor. Considerando, contudo, que faz pouco mais de 20 anos que o Brasil, mal informado, optou pelo presidencialismo em detrimento do parlamentarismo, deixemos de lado a perspectiva de uma gestão colegiada da máquina pública (que é o que o parlamentarismo propõe), e analisemos soluções possíveis dentro do paradigma de que “um homem (ou uma mulher) sozinho (a) pode mudar o jogo” (que é o que o presidencialismo propõe).
Neste contexto, que o eleitor então faça por si só a sua própria reforma política. Que vote na legenda e não no candidato, e, se possível, que priorize as legendas que não tenham feito coligações em eleições proporcionais, ou que as tenham feito com partidos que mais corroboram da sua ideologia partidária. O eleitor retoma assim o controle do jogo, repudiando de uma só feita o sistema de lista aberta que personifica o voto no Legislativo e induz o eleitor ao erro de achar que o voto vai para a pessoa do candidato (quando vai para o partido), e ao mesmo tempo demonstra seu intuito de que coligações em eleições proporcionais sejam o quanto antes banidas do nosso ordenamento (pois distorcem o instituto do partido político enquanto representante de uma ideologia ou projeto).
Você, eleitor, pode fazer a sua parte e agir individualmente de modo a instituir, pelo seu voto, a reforma política que quer ver em nosso país. Assim sendo, nas eleições de outubro, deixe um pouco de lado o debate (convenientemente) centralizado nas eleições para o Poder Executivo, e mire sua atenção no Poder Legislativo, escolhendo uma legenda (e não uma pessoa), coerentemente coligada (ou de preferência sem coligações proporcionais), e coerente com os ideais que você, eleitor, defende para o seu Estado e o seu país. Um homem (uma mulher), um voto. Nunca esse lema fez tanto sentido quanto agora, quando nós brasileiros nos vemos órfãos de representantes políticos. Faça a sua parte.

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