quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Sobre desigualdade social no Brasil

Sem medo de ser repetitivo quanto a o que já foi escrito uma dúzia de vezes neste Blog, teço alguns comentários sobre a pesquisa recente publicada pelo DataFolha, e realizada pela OxFam. As conclusões da pesquisa estão expostas neste link, em formato de entrevista com um dos seus coordenadores: https://racismoambiental.net.br/2017/12/11/o-topo-do-topo-quem-e-a-classe-media-e-quem-e-quem-nas-estratificacoes-do-brasil-entrevista-especial-com-rafael-georges/ . Bom, primeiramente, parabéns aos autores da pesquisa pelo resultado final. Contudo, há de se fazer certas considerações sobre as conclusões expostas na entrevista.

Primeiro, nosso parâmetro de "onde queremos chegar" não pode ser apenas incluir os 90% de "mais pobres" na faixa de renda de 03 a 20 salários mínimos, mas sim garantir que esses 99% tenham acesso a bens e serviços comparativamente similares ao de países que representam um parâmetro real de qualidade de vida (vamos começar com uma meta menos ousada: Austrália, Portugal, Uruguai).

Segundo, que é inegável que a estratégia de fomento ao consumo, baseada numa interpretação equivocada de Keynes, e aplicada por Dilma e Mantega, se mostrou um "tiro no pé". E nisso o "teto de gastos" é irrelevante na discussão sobre redução da desigualdade, do mesmo modo como "aumentar gastos sociais" é um conceito vazio (aumentar o gasto nominal ou a efetividade do gasto atual? investimentos em saneamento básico, habitação, transporte público, são "gasto social"?). O Brasil precisa sim aumentar sua proporção de poupança pública e privada em relação ao PIB, e criar mecanismos que estimulem a transferência dessa poupança para investimentos, especialmente investimentos que tragam escala, produtividade e inovação tecnológica.

Nesse ínterim, há um claro trade off entre de um lado aumentar o salário mínimo, ter regras frouxas na Previdência, contratar mais servidores públicos, medidas de fomento ao consumo implantadas pelo PT, e de outro lado medidas de racionalização de gastos num primeiro momento, mas que, com a queda estrutural nos juros e o equilíbrio na balança cambial, levarão no médio prazo a investimentos duradouros em infraestrutura e ampliação da base produtiva (nos 3 setores). Cuidado com as soluções fáceis, que soam doce nos ouvidos de quem ouve, porém equivocadas. O sucesso vem sim de uma estratégia bem escolhida e implementada com segurança.

Brasília/DF, 14 de dezembro de 2017.

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