segunda-feira, 11 de março de 2019

Duas visões opostas sobre Macroeconomia, e uma síntese possível...

Primeiramente, seguem os dois links de conclusões opostas, para leitura e reflexão do leitor:

https://www.valor.com.br/cultura/6149939/andre-lara-resende-escreve-sobre-crise-da-macroeconomia

https://terracoeconomico.com.br/a-nova-embalagem-do-inflacionismo/

Agora segue o meu comentário sucinto sobre o tema:

O importante numa política de equilíbrio câmbio/juros/crescimento econômico/dívida pública é caminhar numa direção de resultados consistentes no médio prazo (nem esperar resultados já de imediato, nem mirar longe demais até obter os primeiros dividendos). Nesse sentido, num cenário de desequilíbrio fiscal grave, dívida crescente e dominância fiscal na política de juros, mais importante do que o raciocínio simplista de “gastar menos que arrecada”, é ter um plano de transição do quadro 1 (gastos públicos que essencialmente desestimulam poupança e fomentam o consumo não-durável) para o quadro 2 (gastos públicos que projetam aumento de riqueza, especialmente em infraestrutura, tecnologia, bens duráveis), com redução gradual da proporção entre dívida pública e poupança nacional (pública e privada). Ao invés de se partir pra um “déficit zero” da noite pro dia (meta inatingível na prática, sem se ferir direitos adquiridos e sem um custo político e social brutal), o ideal é mirar um horizonte de 5 ou 10 anos de melhoria na qualidade do gasto público, o que passa por aperfeiçoar a escolha dos projetos de investimento PPP e em combater privilégios (ainda que de forma mais gradual, diluindo o custo político de modo a viabilizar esse combate). É a junção dos critérios técnicos e políticos numa síntese que viabilize um ajuste fiscal sustentável no médio prazo – sem asfixiar a economia no curto prazo. Nem Fla nem Flu. A virtude está no meio.

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