quarta-feira, 8 de maio de 2019

Sobre literatura boa, ruim e mediana.

Primeiramente, caro leitor, leia este link: https://www.revistabula.com/4031-o-mal-de-se-sentir-inteligente-lendo-harry-potter-e-guerra-dos-tronos/

Meus comentários a respeito:

O exemplo de Sheldon no final do texto foi ruim, e até acabou contradizendo o argumento do início do texto. Afinal, Sheldon não é um literato, nem se pretende, ao contrário das pessoas que assim se autointitulam por lerem toda a obra de Martin.

Há outros dois argumentos que deixaram de ser contemplados: o primeiro é a urgência, a velocidade dos tempos atuais, que se traduz tanto pela redução no tempo disponível para leitura (por isso a necessidade de uma leitura mais pausada, digerida e descartável), quanto pela substituição do Orkut pelo Facebook e deste pelo Instagram (ou seja: caminhamos para menos texto, menos interação, menos discussão, e mais imagens, status e imediatismos).

O segundo é que algumas literaturas realmente são "chatas" para certos perfis de leitura. Eu tentei ler Stendhal, Camus e Joyce e achei um pooooooooorre. Eça eu também achei chato em alguns momentos, mas tragável. Kant é chato, mas como liberal não posso deixar de ler. Já Mann, Locke, Nietzche, Sartre, Kafka, Wilde, Huxley, Lobato, Amado, Assis, etc, possuem uma cadência mais convidativa. Não enrolam tanto o leitor com nuances que podem ser presunçosas e repetitivas.

Mas há os leitores que preferem livros com nuances presunçosas e repetitivas. Como há os cinéfilos de filmes iranianos sobre uma freira islâmica muda e paralítica que encontra o amor de uma cabra perneta que na verdade é um gênio trans numa lâmpada, e há os cinéfilos que preferem "Sindicato dos Ladrões".

É difícil realmente dizer que apenas porque uma obra é mais chata ela necessariamente seria de uma qualidade artística mais "alta". Será que a riqueza de personagens e as reviravoltas nos enredos, de Martin e Tolkien, não os elevariam à condição de "alta" literatura?

Pra mim a literatura é como uma mulher bonita (com o perdão do sexismo da analogia): acima da nota 7, pouco importa se a pessoa é 7,1 ou 9,9 em termos de beleza, importa o carisma, a simpatia, a empatia, o charme. E Martin tem para mim um certo charme, mesmo que tecnicamente ele seja considerado uma mulher de beleza "nota 7".

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