domingo, 2 de fevereiro de 2020

Lamentos no Céu.

Roberto Campos, Otávio Bulhões, Moreira Salles e Mário Simonsen estavam sentados numa mesa arredondada de carvalho bem polido, duas cômodas de apoio entre as respectivas poltronas dispostas duas a duas, cada cômoda com um cinzeiro emblemático (um rotariano e o outro leônico), as baforadas de charuto dominicano a acompanhar goles de um bourbon Ellijah Craig e bocadas de Bon Gouter (acho que de sabor parmesão, o triangular, não é?!)... #sextou no Céu, e os pais da racionalidade administrativa do Brasil discutiam os 13 primeiros meses da gestão Paulo Guedes.

Simonsen criticou o fato de Guedes ter retirado a contribuição patronal da Previdência num momento de crise fiscal do país, fazendo os mais pobres pagarem a conta. Ressalvou que metade dessa culpa é do Congresso, mas foi taxativo em alertar: "foi Guedes quem propôs".

Campos lamentou que a proposta de reforma administrativa de Guedes vai na contramão do que Dyogo Oliveira estava gestando entre 2016 e 2018, e a proposta de Guedes destrói qualquer possibilidade de meritocracia no serviço público, mas não resolve nada em termos de eficiência administrativa.

Bulhões concordou com seus predecessores e pupilos, e lembrou que Guedes atravancou a reforma tributária de Baleia Rossi e Marcos Lisboa, que tinha mais chances de ser aprovada, e não apresentou nada no lugar.

O que mais incomodou Bulhões, com a plena ratificação de Campos e Simonsen, foi o fato de que Guedes torrou todas as verbas discricionárias do orçamento até agosto de 2019, enquanto o mesmo montante, com Meirelles, durava o ano inteiro.

Calado, admirando os colegas de mesa mas sempre seletivo e pragmático em suas intervenções, Walther Moreira Salles criticou seriamente Guedes ter deixado fritar gente séria e competente, como Levy e Cintra.

E arrematou: "todos os ganhos até agora são inércia de feitos do Governo Temer. Comparando Guedes com Meirelles e Dyogo, não tem como não notar que regredimos".

Acordei do sonho e lembrei: estão todos mortos. Aos vivos, a tragédia do espírito de nosso tempo...

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