quinta-feira, 19 de março de 2020

Se o 2o contágio do vírus for igual ao 1o, ou se surgir uma mutação mais grave daqui a alguns meses ou anos, então podemos afirmar que:

1) a utopia de um mundo sem fronteira, com tolerância entre diferentes etnias e culturas, e livre circulação de pessoas e bens, como era a utopia da União Europeia, está perdida para sempre;

2) ocorrerá entre irmãos e outros parentescos que moram em outros países o que ocorreu com o Muro de Berlim no século XX: décadas sem se encontrar pessoalmente de novo;

3) serão reforçados os hábitos de redes sociais exibicionistas e morrerão de vez as esperanças de espaços coletivos de interação e construção (como eram os antigos partidos políticos, sindicatos, movimentos de classe, etc);

4) precisaremos cada vez mais de uma inteligência superior, tecnocrata, que nos diga como devemos agir - hoje é a OMS, amanhã pode ser apenas um programa de computador.

Foi o Corona Vírus que fez tudo isso?

Não, foi a nossa pequenez diante da morte, que nos fez entregar tudo o que tínhamos (a nossa liberdade) em nome da vã esperança de conservar o que não pode ser conservado: as nossas vidas.

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