domingo, 5 de abril de 2020

Macroeconomia: Mensagem ao Cidadania 23 sobre como sair do buraco fiscal pós-Corona.

Ministro, desejo boa sorte ao Cidadania na construção dessas novas lideranças. Hoje é sem dúvidas o partido que mais me representa no espectro político nacional (assim como o PPS era em 2002 e 2006).

Porém, falemos de algo importante: a recuperação econômica. Que demandará ao menos 03 anos para sanear os efeitos dessa paralisação forçada de nossa economia.

Primeiro, é preciso ter clareza: não adianta buscarmos agora um superávit fiscal. Apenas este ano o déficit primário será na casa dos 300 bilhões de reais, em virtude das medidas do Orçamento de Guerra. Pensar em superávit primário, no melhor dos cenários, talvez 2024 ou 2025.

O lado positivo é que o mundo inteiro estará em expansão monetária nesse biênio 2020/2021, também por conta da Pandemia. Logo, temos margem para contrair Dívida nova sem grandes impactos sobre câmbio e juros (além dos impactos que o Real já sofreu, claro).

O que podemos e devemos fazer é mudar o perfil da Dívida. Explico.

Neste 1o ano (2020), 100% da Dívida nova será para Orçamento de Guerra e medidas de reaquecimento da demanda. Isso é o que já está em curso.

Para 2021, ainda precisaremos de uns 75 a 100 bilhões em crédito barato para famílias e microempresários poderem sanar as dívidas contraídas ao longo de 2020. Mas podemos destinar uns 50 bilhões de Dívida nova apenas para Saneamento Básico e logística (especialmente para expansão de malha ferroviária e portuária já concedidas).

Assim, os cerca de 150 a 180 bilhões em Dívida nova em 2021 seriam menores que a Dívida nova em 2020, porém uma parte já destinada a infraestrutura.

Mudar o perfil da Dívida é isso: desacelerar aos poucos a emissão de Dívida nova, porém redirecionando essa Dívida nova para a geração de poupança futura (investimentos em Infraestrutura, que aumentam a eficiência da economia como um todo).

Sobre os servidores públicos, reduzir salários é besteira. A economia é baixa (20 a 30 bilhões, no melhor cenário), porém a alto custo político e social. Além do risco de judicializações. O mais seguro é apenas congelar nominalmente os salários e novas contratações, e esperar que a própria inflação faça a redução real do poder de compra. Pequenos reajustes na faixa até 5 mil podem ser feitos pontualmente para evitar custos políticos indesejados.

Para 2022, a meta seria ter zero de Dívida nova para gastos correntes, mas ainda assim um direcionamento de 100% da Dívida nova para projetos de Infraestrutura (algo entre 50 e 75 bilhões).

Até lá, a tendência é o Real ir recuperando valor em relação ao dólar, reduzindo assim nossa margem de endividamento novo sem efeitos sobre o câmbio.

O Senador Serra tinha um projeto excelente sobre isso, mostrando como o câmbio em "posição comprado" (subvalorizado) faz ganhar tempo para a emissão de Dívida nova direcionada apenas para infraestrutura. O que gera poupança.

Em suma: vamos admitir a porrada fiscal dos próximos 03 anos, mas convertendo aos poucos a Dívida nova 100% direcionada a gastos correntes e consumo direto, para uma Dívida nova bem menor em 2022, direcionada exclusivamente a Infraestrutura.

Estou à disposição pra ajudar. Um nome que acho que poderia ajudar muito o Cidadania a firmar uma posição política sobre as decisões macroeconômicas dos próximos anos é o economista paulista André Perfeito. Recomendo que o Senhor agende uma conversa com ele e Serra.

Abraços!

Nenhum comentário:

Postar um comentário